quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

meus lados.


amarga o mar distante em suas gotas cínicas. como aquela água em verde que bebemos juntos. não faz falta. nem a água. nem o juntos. assisto aos filmes e nada parece verdade. ouço tua voz e ela corrói o sono. o tecido vai se dissolvendo na minha garganta, os fiapos sufocando, engasgando, esgotando as palavras que não tenho para te dizer. não te disse por mil vezes. não te disse por três meses. é só solidão. aplacando. abobando. é só angústia. falando mais alto, tirando a razão. o computador me prende à vontade de escrever. sobre você, sim, sobre você. mas isso não importa. você no meu texto é apenas mais um personagem de mim. você no meu texto é apenas eu mesma numa visão exagerada do que poderia ser. é conexão sonora, tátil, aromática, cerebral. é coesão de defeitos, estupidez, ausência e vontade. é tudo verdade e tudo mentira; porque confiabilidade pode ser um ponto de parâmetros tão mutáveis. quero escrever sobre isso. porque penso, sinto e espero e teu silêncio não vai mudar com texto, diálogo ou adivinhação.

amarga o mar em ondas irreversíveis. de desejos incorrigíveis. de rancores apagados. como aquela água suja que notamos juntos. faz falta. o mar, a água e o juntos. vejo as crianças brincando pela janela, nada parece verdade. tua voz, não a ouço há cinco dias e isso corrói meu sono. o tecido vai se refazendo fechando minha garganta no desejo de falar. os fios se tecendo, costurando, distorcendo a intenção do que um dia eu te disse. em várias vezes. em quatro meses. é só o medo. prendendo. sufocando. só insegurança. falando mais alto, tirando a razão. a fuga me leva à escrever, nesse teclado sujo ou não. sobre mim, sim, sobre mim. só que não interessa. vai sempre parecer que é sobre você. parece obsessão, loucura, qualquer coisa assim. mas você no meu texto é apenas eu mesma numa visão exagerada do que poderia ser. é distorção sinestésica em gula, preguiça e luxúria. é sensação de pertencer, errar, com tentativas e insistência. é tudo verdade, tudo mentira; porque acreditar se torna um conceito muito relativo diante do defeito constante. quero esquecer disso. porque penso, sinto e espero e teu silêncio não vai mudar com texto, diálogo ou adivinhação.

1 comentários:

  1. "sobre mim, sim, sobre mim. só que não interessa. vai sempre parecer que é sobre você".

    te entendo tanto, tu se faz entender bem pelas tuas palavras, por esse ciclo, de silêncio, e tanta coisa a dizer.
    gostei, mesmo que você pense que é uma visão exagerada minha, rs e não, não é.
    beijins
    Ju Rogge

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