
Estou esperando para ver qual o próximo presente às avessas que você vai me dar (qual o próximo mal?). Querendo descobrir quando te encontrar o que vou sentir (não vou sentir). Saber se posso esquecer (não vou perdoar). Falei tanto (não vou mais querer). Dizer. Olhar. (preciso estar longe de) Você.
Te desconstruí em três mil cento e oitenta e nove palavras contadas no word. Em cento e sessenta dias de pura miséria egocêntrica. Mas ainda persiste. O cheiro do sabonete. O disco esquecido na minha varanda. A presença vazia do teu sorriso. Não quero usar uma palavra má para o teu sorriso. Se fosse o caso, diria sorriso estúpido. Uma infantilidade semi-imbecil. Talvez seja isso, uma hora a gente se desgasta de ser tão infantil. Voltar, diminuir tanto.
Te daria um bocado de histórias novas. Para que acredites ou não. Te diria que nada faz parte de mim, e também não espero que façam de ti. Pretendo escrever outra diferença. Que não sei qual é, nem de onde vem. Tenho uma insanidade guardada aqui. Ela me deixa fazer aquilo sem sentido. Quem eu sou. E não sou, e não tenho, e não vou.
Qual o próximo mal? Ver demais a ponto de não querer; apaticamente juntos num tempo perdido infindo. Não vou sentir – remorso ou rancor, nem arrependimentos, quando eu for. Não vou perdoar – tua ignorância, limitação, displicência. Não vou mais querer – o cheiro, o disco, a presença. Preciso estar longe, da casa, da foto, do tempo.
Te deixo um pedido, um abraço e uma espera.

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