
tinha o cheiro do teu cabelo, aquela rua. não importam os lanches, os pavões, os estudantes. tinha o cheiro do teu cabelo, aquela rua. e não importa a cor, nem o caos. dessa nossa vida. dessa tua cidade. e da minha. eu me lembro de nós dois, o tempo todo. no cinema. no café. na piscina. na casa. no banco. no sol. mesmo que não tenha acontecido. eu sei que lembro. eu penso em você, sentada perto de mim, deitada no chão da varanda, o cabelo se embaraçando nos meus dedos. e como esse cabelo se parece com algo que eu não tenho. algo que só existe em ti. e você falava tudo, escrevendo. que eu te guardei numa caixinha e fui embora. que existia a distância, mas antes disso o medo. eu nunca tive medo. eu tive a nostalgia de te olhar como algo melancolicamente belo. terrivelmente distante. teu sorriso conta uma alegria inalcançável, frágil. um instante feito para ser preservado para sempre. eu nunca soube dos teus problemas. você para mim era sorriso, cabelo e cheiro. e não me dizia nada. e não me mostrava nada. só sentia. na pele. na alma. eu estou aqui e às vezes sou sozinho, às vezes sou alguém, mas não interessa. é sentado de frente para esse mundo frio que sinto essa tua presença insubstituível. tentei te entender, alertar, esperar, e por fim, tentei esquecer. e já desisti. prefiro olhar para a realidade de vez em quando, tomando um copo de qualquer coisa e decidindo que você não vai mesmo sair daqui. não importa a presença alheia que nos acompanha. não quero saber da ausência. eu sei que estou aí também. eu sei que sou amor também, sem exageros. e onde estaria o exagero em dizer que isso não acabará tão cedo? você é o doce que eu guardo pro final. você é a felicidade que insisto em ter. e isso não é dela, não é deles. é nosso.
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eu vou te escrever um texto, e ele vai ser bonito.
eu vou te escrever em texto, e ele vai ser bonito.
e direi uma saudade, contarei um parabéns.
e eu não sei fazer de outra forma, que não assim. nesse não precisa fingir.

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