
pensei numa historinha boba. eu te digo que são sete horas e você diz que é mentira. a gente fecha os olhos e o tempo volta. e cada vez que a gente fecha, volta uma hora a mais. e cada vez que a gente abre, são sete horas de novo. então só podemos fechá-los mesmo. eu posso te contar do dia em que vi o espaço, lá de fora, lá do alto, lá bem grande, lá vazio. você diz quando viu a bactéria, bem pequena, bem feinha, bem juntinha, bem colorida. eu conto a história dos dois fins e você escolhe um deles. “mas tu vais fazer um terceiro”, você diz. e eu faço mesmo.
eu digo oito horas, você mentira. a gente fecha um olho e só metade do tempo vai para frente. então te digo o que vai acontecer daqui a duas horas, e você vê que estou certa. e você me fala sobre como poderia ter sido. poderei apenas fechar de novo os olhos. e imaginar. acreditar que existem os monstros das possibilidades. cruéis.
eu digo dormir e você diz acordar. você diz dormi, eu falo acorda.

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