quarta-feira, 5 de outubro de 2011

foi por querer


falava de coisas desertas e do vazio no qual morava. um tapete cobria o chão da entrada, logo abaixo da luzinha vermelha que tinha instalado na porta. mas não se importava com cores, comprava sempre a mais barata, na verdade. já não significava mais nada estar ali. não iria conceder outra música. ou outra hora, outro sono, outra bebida. um abraço, forçado. pensava em ir embora, mas quando fica longe lembra só da saudade. quando fica perto, lembra só da maldade. então fazer o quê? as coisas têm um prazo, e eles terminam. não iria para o quarto novamente. varanda talvez. sentar no chão sempre foi uma de suas coisas preferidas. e deitar. e dormir. então talvez fosse isso: sentar, deitar e decidir. é, sem concessões dessa vez. agora não mais, parece que a racionalidade finalmente chegou ali. parece que a luz invadiu a sala, com todas as suas manchas e sujeiras de três semanas. com todos os cabelos e prendedores perdidos e gelos derretidos. parece um fim consumido com sono em doses homeopáticas. sentia um peso, e o empuxo, e a gravidade (dos problemas; da vida; de ser alguém ali). tinha cansado de esperar e isso corroeu a vontade crescente. tinha cansado de esperar, e daquela vida, e da falta de atenção. ignorar é tão relativo.

a varanda já estava vazia. e só o vento balbucia a história dos dois.

0 comentários:

Postar um comentário