quarta-feira, 12 de outubro de 2011

das cores lá fora.


a casa é vazia. nem gente nem bicho ficam aqui. o escuro faz parte da melancolia. e da imensidão. como uma perda. ninguém quer perder nada e resta sempre o espaço pedindo para ser preenchido. ellen não queria voltar, mas voltou. já era muito tarde quando se deu conta de que estava nesse caminho outra vez. e a casa reverbera lembranças, egoísmos, distâncias, ausências, mudanças, erros. e ellen dormiu na casa. deitou no chão, acendeu uma vela. lembrou de alfredo e do desespero do rosto dele. um desespero pálido, um desespero branco, rápido. lembrou da alegria em assistir àquele sorriso. lembrou do desprezo ao ouvir aquele choro. e se sentiu fugindo novamente, de si, do lado de fora, da janela, do senhor dos ventos, das horas aflitas. se sentiu menor sem ser. ellen não gosta de saber que horas são. nem precisa saber o tempo que vai passar na casa vazia. ellen vai ficar aqui, comigo. falando sobre o lado de fora, sobre as cores, a vida. eu só conheço a casa. sei definir apenas o que falta aqui. um tapete, uma cama, um amor. um espelho, uma luz, um favor. a casa não é minha, mas virei casa também. ellen está aqui. virou sofá.

0 comentários:

Postar um comentário