
desculpa, eu fui dormir e não te vi passar por aqui. são as borboletas lá fora, e as lagartixas e nuvenzinhas me fascinando, me distraí. desculpa, fui embora e não vi onde você parou, presa nesse quadradinho de luz que eu fotografei. desculpa, eu quis te avisar, mas não aguardei o teu pranto. desculpa mesmo, por todo desencontro. desculpa, eu quero passar, mas antes tenho que deixar de ir. desculpa essa lua que insiste em mudar te deixando infeliz. desculpa essa cara chateada e a falta de fôlego ao te ver chegar. desculpa essa onda vazia de ar que persiste no ouvido. desculpa. tentei te alertar, só que o jogo sempre esteve pela metade. e as horas mal aproveitadas, os sóis, as palavras. desculpa, por tudo que já vivi. e que desculpa absurda, essa, mas desculpa mesmo assim. e desculpa também o que farei, porque para isso serão outras desculpas. inventadas. verdadeiras, mas desculpa mesmo assim. desculpa o meu pé, porque ele não sabe o caminho. e o meu corpo o leva com outros pensamentos. e minha vida pesa outras memórias. desculpa a comparação, a inconstância, incompetência. desculpa o fato de eu ser eu mesmo, porque isso eu não posso mudar. nem desculpar.

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