quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

munique. (parte 2)


na verdade, na verdade, ele me disse que não pensasse no passado.
não.
acontece que gosto de lembrar momentos antes de dormir.
mas não é bom. "é como ficar sempre preso. então, pra quê?"
primeiro não fiz nossa história. contei.
de novo, quero dormir. agora farei certo.

allora!


aqui. um abraço. i was missing you, i have to say it. horas e mais desencontros. haverá a oportunidade, eu sei. sentidos. todos eles. entre os toques, as mãos. entre os dedos, uma caneta. escrevo lá uma parte qualquer de uma música qualquer. algo que diga tudo, simplesmente. tudo isso que digo agora, mais tudo de antes. e sem nada depois. futuro incerto de tantos momentos da vida. apenas mais um. dia? alguém?
don't can see what anyone can see in anyone else, but you.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Começo de não sei o quê. (parte 2)


Não aceitei a carona, não precisava. No outro dia, ele não ofereceu, pediu. Levei-o até aquela rua bonitinha, com algumas árvores e um clima agradável. A curiosidade agora é outra: como ele pensa; do que ele gosta; será que ele é chato?

Fomos uma vez a um lugar chamado Recife, onde a verdade se distorce e as horas correm sem lucidez de um lado para outro. Ping-pong infinito da minha agonia. Ora se aproxima, depois fala de outras tantas coisas que não quero saber. Sou sempre a boa amiga.

Muitos dias, quantas horas, os detalhes são semelhantes. Nossos caminhos poderiam ter se cruzado tantas vezes, tantas vezes. Agora é tarde. Há nessa proximidade uma distância terrível, capaz de assombrar qualquer inocente. Como os tremores de ontem, que talvez tenham sido apenas essa indecisão reverberando até onde pudesse chegar.

Os medidores disseram 4,3. Eu digo 20.000,08! Só eu sei do que falo. Ainda assim não sei.
Sinto de novo o pânico do meu silêncio na sala 305. Lembro da nossa troca de óculos, das conversas simples. Do momento em que ele queria ler uma declaração de amor minha em qualquer canto. Tentar em qualquer leitura, me cantando coisas leves.

Mais um começo inacabado, já que tudo é sempre início nesse meu ritmo de ser.

domingo, 10 de janeiro de 2010

munique.


ele disse que se eu quisesse dormir, tinha que pensar em um sonho.
pensar naquilo com o que eu gostaria de sonhar. fazer minha historinha.
então essa é a verdade: quero dormir.

pensare!

dançamos. qualquer coisa. samba. mas nem eu nem ele sabemos como. continuamos, simplesmente. as mãos parecem mais juntas agora. o cheiro. o toque. e aquele rosto nem tão perfeito mas tão lindo como tudo que você sempre quis. acho que gosto disso. dançar sem dançar. tocar e fingir não tocar. mas o beijo, o beijo tem que ser de verdade. you just have to do it like a brazilian girl, he said.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Começo de não sei o quê.


Abri a porta, mas isso não é suficiente, é? Ver o caminho não significa nada. Fico aqui mesmo, então. Como em outras horas, outros natais e algumas lágrimas compartilhadas. E de que adianta? Melhor ir.

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Começa assim: ele está lá, no outro canto da sala. Fones de ouvido. Livro. Cabelo bagunçado, ele é excêntrico. Não quer dizer nada, não para mim. Sento, calo e assisto. Naquele dia, saí da tal tortura explodindo uma necessidade de falar. Com você, com ele, qualquer um. Oferecer caronas a estranhos ou, quem sabe, deixar o carro lá mesmo. Poderia, se quisesse, gastar as havaianas até a minha casa. Moro perto.

Nos outros dias faltei. Só passei novamente pela maldita porta da 305, bloco A, na terça-feira seguinte. E lá estava ele novamente, com aquele cabelo sem condicionador, fones de ouvido e livro. Pensando que eu ligo. Nem me importo. Minha curiosidade se resume ao fato de pensar tê-lo visto em outros lugares. Uma vez na palestra, outra naquele estacionamento. Mas tudo bem.

Quarta-feira. Abri a porta e, fones? Hoje não. Livro? Não está lendo. O cabelo moita, raridade, conversa com alguém. Eis que também falamos e, pela primeira vez, a tortura não resulta naquela sensação de abandono contínuo. Não me conquistou em cinco minutos, como consegue fazer com todas. Só me fez sorrir e ofereceu uma carona.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Alunos do curso de cinema da UFPE promovem mostra de curtas



O Bar Central abre as portas, às 19 horas desta segunda-feira, 14 de dezembro, para a I Mostra de Curtas Realizados pelos Alunos de Cinema da UFPE. Serão exibidos 10 curtas, todos realizados no segundo semestre de 2009. A programação pretende ainda celebrar o final do primeiro ano letivo do novo Bacharelado em Cinema da UFPE.

No programa estão 5 curtas que são resultado de um projeto interdisciplinar que reuniu, numa mesma atividade de realização, os alunos das disciplinas de Design da Produção, Edição e Montagem, Produção Audiovisual, Roteiro e História da Fotografia. Desde o início do semestre, os professores decidiram conciliar seus esforços num projeto coletivo e cada oficina ministrada seria responsável por uma das etapas da cadeia produtiva cinematográfica, de modo que todas as turmas pudessem se envolver neste processo.

Os filmes foram realizados dentro de limites bem definidos e cada equipe (produtores, cenógrafos, fotógrafos, diretores e montadores) dispôs de apenas dois dias de filmagem e de três dias para finalizar seu trabalho. Os filmes também tinham limitação de tempo (entre dois e sete minutos, no máximo) e de locação (deveriam ser rodados no campus da UFPE).

OS FILMES

"Instante" mostra desenlace de uma relação, o curta aborda o fascínio/mágica vivenciado pelo ex-namorado quando consegue tocar novamente, ainda que de leve, o corpo da amada. Memória, desejo, afeto afloram no curto instante em que seus corpos se reencontram... Estrelado por Nash Laila e Hnerique Vieira (também diretor do curta). O roteiro é de Douglas Deó, direção de arte de Germana Glasner e Yanna Luz, com montagem de Lucas Andrade.

"Não sei se Devo": em estilo bem humorado e surpreendente, narra as desventuras de um jovem pai em seus tempos de faculdade, quando conhece sua amada nos infinitos corredores da universidade.A direção é de Gabriel Muniz e Luis Vitor, com assistência de Germana Glasner. O roteiro é de Luis Vitor. O curta foi produzido por Camila Neves e Germana Glasner, com fotografia de Nicolau Domingues com assistência de Rafael Almeida. Direção de arte de Lucas Caminha e Rafaella Cavalcanti e montagem de Luis Vitor com assistência de Rayssa Costa.

"Emoticons" é um suspense no qual uma jovem recebe sucessivas e misteriosas mensagens em seu MSN - apenas um sinistro emoticon - e o que parecia uma simples pegadinha, se revelará uma surpresa perversa. Com Camila Nascimento e Evandro Mesquita, o curta foi produzido por Renata Monteiro e Tiago Bacelar a partir de um roteiro de Evandro Mesquita. A direção é de Cleiton Costa, com assistência de Juliana Ribeiro, fotografia de Luciano Monteiro e Thiago Rocha, montagem de Cleiton Costa, Evandro Mesquita e Nilson Braga e direção de arte de Alan Tonello e Luiz Marcos.

"Ariadne": A analogia com o mito de Ariadne é evidente e o curta propõe uma lúdica brincadeira com os labirínticos corredores do CAC. Seguindo um misterioso fio, uma jovem aluna experimenta um encontro surreal. Com Ingrid Mali, Adalberto Menezes e Everton Coelho, o curta em direção de Victor Borges, com produção de Kianny Martinez, a partir do roteiro de um roteiro de Gloriete Pereira, Marco Túlio e Renata C. Cavalcanti. A direção de arte de Filipe Marcena, fotografia de Ingrid Santos e montagem de Beto Farias.

"Aula" aborda o cotidiano enfadonho de muitas salas de aulas, a apatia de alunos e professores. Essa temática é abordado com humor e ironia a partir de um surpreendente e inusitado ponto de vista. Com Amanda Beçça, Camila Rodrigues, Diogo Testa, Evandro Mesquita, Lara Lagioia, Larissa Cavalcanti, Lucas Andrade, Renato Freire e Victor Laet. O roteiro é de Lucas Andrade e Victor Laet com colaboração de Roger Bravo e ideia orginal de Diego Lacerda. A produção foi de Juliana Ribeiro e a direção de Alan Tonello, com assistência de Annyela Rocha. A fotografia é de Roger Bravo, com assistência de Marina Paula. Direção de arte de Larissa Cavalcanti e montagem de Annyela Rocha.

“Entreluz” é um curta que relaciona o cinema com os sonhos, a partir de um jogo de projeções de filmes sobre o corpo da personagem principal. Foi produzido no contexto da disciplina de Teorias do Cinema, com direção de Annyela Rocha e roteiro de Paula Riff. A produção foi de Rayssa Costa e Yanna Luz, fotografia de Germana
Glasner e Alan Tonello.

“impressiodivãlogia” é uma comédia sobre a tensão entre cinema de arte e cinema popular. Dois pacientes (um cinéfilo e o outro um espectador comum) reclamam com o psicanalista dos gostos cinematográficos do oponente. Com Diogo Testa, Roger Bravo e Evandro Mesquita, o curta foi produzido por Tiago Bacelar, Rafaella Costa e Ruana Pedrosa, e dirigido por Cleiton Costa.

“Sublime” é um curta experimental sobre as imagens violentas do cinema. Interpretado e dirigido por Cleiton Costa, o filme tem produção de Tiago Bacelar e direção de arte de Juliana Ribeiro, Ruana Pedrosa e Rafaella Costa. A equipe técnica foi formada por Pedro França, Marcone Prysthon e Thiago Alemão.

“Amor Selvagem” é uma animação de Evandro Mesquita, com direção de arte de Luiz Marcos e trilha sonora de Nilson Braga.

“Cinéfilis” é um curta experimental sobre a pirataria e seu impacto sobre a vida das pessas. O filme tomou a forma de um filme de terror B, com interpretação de Maria Cecília e Gabriel Medeiros, roteiro, montagem e direção de Gabriel Muniz. A fotografia coletiva ,e de Luis Vitor, Tiago Bacelar, e Rogério Balbino. A produção ficou a cargo de Juliana Ribeiro, Rogério Balbino, Thiago Henrique, Leodomiro Neto, Gabriel Medeiros, Gabriel Muniz e Rafael Freitas.



Serviço:
I Mostra de Curtas dos Alunos do Curso de Cinema da UFPE
Bar Central - Rua Mamede Simões, 144, Boa Vista, 3222-7622.
Segunda-feira, 14 de dezembro, 19 horas - Entrada Franca

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Do que me restou, fiz um novo fim...

...mais amargo mesmo, porque não vou negar a realidade.

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Quando fui embora, entreguei para ele uma caixinha. “Aqui está. Sou eu aí dentro. Fui eu quem fez a embalagem. São minhas memórias que guardei. Essa é a minha visão de você”. Mas ele não abriu. Para que fazê-lo? Não o proibi, não pedi. Queria que abrisse. “Para que abrir? É tudo mesmo platônico.”

E é verdade, é nessa esfera estranha que reside algo puro. Mais puro que tudo. Seria o fim mais doce, talvez.

Ainda assim, fui embora. Ele não quer saber o meu segredo, mas já o possui. Já sabe assim. Sentiu sem ver. Soube só de respirar. Essa minha verdade emana sempre que o vejo. Ou não. Problema esse de tudo que fica nas ideias.

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Ela me entregou a caixa. Disse que ali estava ela, com tudo que era ela, sendo ela, para mim. Aceitei, sim, aceitei. Não é de bom grado recusar o carinho feito para você. Mas não quis ver. Não sei se por medo, não sei se por não querer.

Medo de querer ainda mais. De sonhar ainda mais esse mesmo sonho de tantas noites. Não quis ver, não quis. Não quero mais sentir tudo isso que eu já sei de cor. É amor. Será? O meu, talvez, o dela não pode ser. Mas queria ser. Eu queria que fosse.

E ela foi embora. Na despedida um beijo leve, um toque com carinho e as mãos que não queriam se afastar. Pena ter sido apenas imaginação. Esse meu amor, tenho certeza que ela viu. Ou não. Problema esse de tudo que fica nas ideias.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

matriuska.




Lançamento segunda-feira, dia 21/09, às 19h30 lá na Livraria Cultura. Todos estão intimados.



(matéria sobre o livro que saiu hoje no Estado de São Paulo)

Por trás da violência e da morte, acha-se uma história de amor

Contos de Matriuska, de Sidney Rocha, mostram mulheres em situações extremas

Francisco Quinteiro Pires





Para entender as mulheres de Matriuska há que pensar na morte e no amor. "Pois a morte ensina", diz o escritor pernambucano Sidney Rocha. "Se o universo de Matriuska fosse uma peça de teatro, seria a morte o contrarregra." Novo livro de contos de Sidney, Matriuska (Iluminuras, 96 págs., R$ 35) apresenta diferentes mulheres e seus fins diversos, por meio de uma narrativa feita de camadas que se desvendam como se o leitor retirasse as cascas de uma cebola. Para Sidney, "a forma como se morre define a vida de uma pessoa". Em Matriuska, os personagens só existem associados aos fatos de que são protagonistas ou, melhor dizendo, de que são vítimas. Os acontecimentos não se deixam revelar por inteiro: algumas brechas de luz iluminam a treva, da qual saem vivências dolorosas e extremas, como o aborto, o estupro e a pedofilia. "O horror não está nas situações, mas em como elas se banalizaram", diz. "As pessoas almoçam e jantam histórias como aquelas assistindo à televisão todos os dias, e o fazem normalmente, quase sem piscar, e isso define o nosso tempo." Segundo Rocha, todas as letras dos contos estão em minúscula "para que os leitores prestem mais atenção no que leem, no que veem." À semelhança das matriuskas, bonecas russas que escondem dentro si outras bonecas menores, a narrativa do livro de Rocha, de 43 anos, mostra nos diferentes contos situações que dialogam entre si: a leitura se torna um jogo de esconde-esconde. "Antes escrevia em busca de um estilo. Hoje só me interessa a narrativa, o miolo do que faz as coisas girarem." O ficcionista teve o cuidado de investigar onde as palavras enfraqueciam as imagens. Neste livro, sacrificou o mais que pôde a retórica e o exibicionismo do escritor para entregar-se às exigências da narração. A maioria dos títulos dos 18 contos emprega palavras inglesas ou nomes de produtos. "São referências ao universo do consumo feminino: tem a ver com esses milhões de dólares do mundo cosmético", diz. "É uma ironia com a segurança que o consumismo vende, que compramos e nunca recebemos." "Vejamos quem protege a pele de quem num dos contos." Sidney Rocha se refere a Sundown, narrativa intitulada com o nome de famoso bloqueador solar. Em vez de fonte de vida e iluminação, o sol cega e seca Marisa, revelando-se a fragilidade desta personagem. "Outro produto é um brinquedo, ele fascina o mundo das menininhas com fantasia e asseio. Pois bem: veja só o que acontece no conto." Rocha fala de Barbie, que empresta o nome de famosa boneca, inventada há 50 anos. Conta a história de Zulmira,menina de 10 anos que engravida do pai. Matriuska faz referências evidentes às mitologias grega e cristã, sobretudo no nome dos personagens. "Tudo em literatura é caso pensado: peguei carona em uma das fórmulas de James Joyce, na qual a mitologia e a banalidade têm a mesma grandeza." Também há alusões às mitologias nórdica e africana, mas o leitmotiv é a mulher. Apesar do medo e da violência, segundo Rocha, o que as mulheres querem é descobrir o prazer, mesmo havendo dor. "Estranhamente, dentro de Matriuska, as pessoas veem, de verdade, uma história de amor." Verá assim o leitor que souber, com lágrimas no rosto, descascar a cebola até o fim.